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Participação PortugueseSpirit Raid Salomon
de Espanha

Equipa PortugueseSpirit minutos antes da partida. Da
direita para a esquerda: Luís Noronha, Marisa Martinho, Eduardo
Oliveira e Luís Borges
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A equipa Portuguese Spirit que participou na 4ª prova
do X-Adventure Raid Series na Serra de Guara (Espanha) foi composta por elementos
de 2 equipas que competem no Portugal Eco Aventura: Megamedia e Portuguese Spirit.
As nossas aspirações eram ganhar alguma experiência
internacional, e participar lado a lado com os melhores elementos do mundo.
Das 4 pessoas que foram, apenas 2 já tinham ido a uma prova similar noutras
épocas, e para os outros 2 era a sua estreia absoluta.
A altura do ano não era a melhor, visto ser o período
pós-férias tendo a época desportiva terminado em Junho,
e estando ainda por começar a nova época, mas como provas deste
nível mundial não há sempre à porta de casa, decidimos
apostar, e mesmo não estando na melhor forma fomos cheios de vontade
de fazer uma boa prestação.
Partimos de Lisboa 5ª à noite, e chegamos a
Ainsa, ponto de concentração e partida, no coração
da Serra de Guara, pelas 14h de 6ª feira, onde fizemos as obrigatórias
e exigentes verificações técnicas. Recebemos os materiais
e raidbook da prova e começamos a delinear a nossa estratégia
para a prova do dia seguinte, a partir da distância, tempos indicados
e altimetria para cada etapa.
Após um breve descanso nocturno tudo a pé às 04h30 de sábado
para uma partida em massa às 6h da manhã em BTT serra acima.
1ª etapa - BTT - 20 kms
Etapa de arranque com toda a gente a partir junta, ou seja 135 ciclistas serra
acima às 6h da manhã, ainda plenamente escuro, foi um espetáculo
interessante. Naturalmente ao longo do percurso as equipas foram-se separando,
quer pela dificuldade do relevo, quer por alguns problemas de navegação.
Pelo meio alguns trilhos mais técnicos, com descidas por uma Grande Rota
no meio de um cenário tipo canyons. Esta etapa acabou por ser das mais
fáceis, e correu-nos relativamente bem, perdendo menos de 30 min. para
os primeiros e deixando várias equipas atrás de nós

2ª Etapa |
2ª etapa - Pedestre + Cordas - 12 kms
Chegámos de imediato à etapa rainha. Nada mais que uma ascenção
dos 1000m aos 2290m num espectacular pico de Guara. Uma ascenção
lenta e difícil, em muitas zonas sem caminho e com alguma dificuldade de
progressão. Depois da subida, a descida também não foi nada
fácil, pois com uma inclinação acentuadíssima e sem
qualquer caminho descemos cerca de 500m de desnível no meio de pedras derrapando
literalmente serra a baixo. Seguiu-se um rappel de 100m de desnível que
deu para ficar pendurado a apreciar a paisagem selvagem, enquanto se ia descendo.
Depois mais uma descida no meio das árvores até ao final da etapa.
Em termos classificativos fizemos o pior tempo (embora 2 equipas ficaram atrás
por não tenrem feito a etapa) que se justifica por não termos a
destreza e o à vontade neste tipo de terreno, porque também não
temos nada de similar em Portugal onde se possa treinar
3ª etapa - BTT - 20 kms
Uma etapa que prometia ser fácil com o gráfico de altimetria quase
sempre a descer, mas como em tudo nestas provas era puro engano, pois embora se
descesse era em single treks à beira de precipícios, numa grande
rota espetacular para fazer a pé, mas algo perigosa e demasiado técnica
para fazer de BTT. Lá fomos andando ora montados, ora a bater nas pedras
e a seguir parte a pé. Fizémos também um erro de navegação
devido a uma curva no trajecto que parecia voltar para trás e perdemos
aí mais 15 min. Conclusão, no final em vez de descansarmos nesta
etapa acabámos por ficar ainda mais cansados :)
4ª etapa - Canoagem - 18 kms
A organização aconselhava que este percurso de canoagem em águas
bravas nível 3 apenas fosse realizado por quem tivesse a devida experiência.
Não era o nosso caso, agravado por serem caiaques insufláveis
para 3 pessoas com pagaias de uma única pá, quando em portugal
costumamos usar caiaques normais duplos, com duplas pagaias. Desse modo decidimos
saltar essa etapa, mas acabámos por não recuperar muito tempo
pois demoramos 30 min. de carro entre um ponto e outro, e as equipas da canoagem
aproveitando a forte corrente fizeram a etapa em cerca de 1h

3ª Etapa |
5ª etapa - BTT - 32 kms
Mais uma etapa difícil. Embora o piso fosse um pouco melhor, os primeiros
20 kms eram quase sempre a subir, e depois do cansaço das outras etapas
não foi fácil. Com algumas paragens lá fomos subindo, e ao
fim de 2h ainda não tinhamos chegado ao priemiro posto de controlo. O que
vale é que a partir daí era quase sempre a descer e deu para embalar
serra abaixo, fazendo a 2ª metade em cerca de 1h.
6ª etapa - Pedestre - 15 kms
No mapa não parecia uma etapa difícil, o problema é que
o mapa não estava muito actualizado, e as coisas em termos de orientação
não correram da melhor forma. Além disso a noite caiu ao fim de
hora e meio, pelo que a parte mais difícil da etapa acabou por ser feita
à luz das lanternas. Após vários corta-matos no meio da
vegetação, porque simplesmente não havia caminhos, optámos
por seguir por um caminho mais certo, mas que era o dobro da distância.
Ou seja, com os vários azares, acabámos por andar mais que os
outros e demorar mais tempo, chegando após a meia noite.
7ª etapa - Canoagem - 8 kms
Após uma pausa para uma ceia à meia noite, partimos depois da
1h da manhã para uma etapa de canoagem, em que o primeiro kilómetro
era feito a pé, pois a barragem não estava na sua máxima
quota, e era preciso transportar o caiaque até à agua. Após
passarmos o lamaçal lá chegámos à agua, para começar
a pagaiar num local sem corrente a apoiar, com um mecanismo de navegação
com 3 pessoas a que não estávamos habituados, e num ambiente fantasmagórico
em que as luzes dos frontais dificilmente iluminavam as margens por onde íamos
passando, apenas vendo os montes negros que nos circundavam. Já quase
no final, seguíamos em direcção às luzes de umas
casas que estavam no topo de um pequeno monte e onde era a chegada, quando de
repente essas luzes desaparecem, e nos surge outro monte à nossa frente
a cerca de 10m de distância! Com as luzes das casas não nos apercebemos
que havia um monte mais pequeno antes, e só quando chegámos quase
em cima dele, o ângulo tapou o monte de trás e o vimos. Lá
o contornámos e 1h30 depois de partirmos chegámos ao fim da 7ª
etapa

5ª Etapa |
8ª, 9ª, 10ª e 11ª etapa - Dormir
Ok, esta parte não devia ser contada, mas o que aconteceu é que
quando chegámos da 7ª etapa, já passavam 5 min. do tempo
autorizado para partirmos para a etapa seguinte, e portanto fomos obrigados
a saltar essa etapa. Passava pouco das 3h da manhã e havia uma neutralização
até às 5h da manhã para a 9ª etapa. Fomos dormir 1
hora e ainda acordámos todos às 5h, mas com o sono em falta devido
à viagem para Espanha na 5ª e 6ª feira, depois de estar em
dura competição desde as 6h da manhã até às
3h e de termos dormido 1h ninguém estava devidamente desperto para ir
fazer mais umas dezenas de kms de BTT no meio da escuridão. Optámos
por ir dormir mais um pouco, saltar a 10ª etapa de canyoning para fazermos
a 11ª etapa de BTT já de dia, às 10h da manhã. Só
que pelas 6h da manhã cai uma trovoada gigantesca, das piores porque
já passei, em que os relâmpagos pareciam estar mesmo em cima das
tendas, e com uma chuvada bem forte. Optámos por nos manter a dormir
mais um pouco e quando finalmente nos levantámos já não
tinhamos tempo de ir fazer o BTT, e lá tivemos que saltar mais uma etapa.
Embora eu esteja a pintar isto muito duro para a nossa equipa, e foi mesmo,
para nós e mais umas 8 equipas, a maioria das outras 35 equipas fez todas
as etapas sem pestanejar, no meio da tempestade como se nada fosse. É
nestas alturas que a nossa falta de preparação e experiência
vem ao de cima. Se participássemos em 5 raids deste por ano aposto que
no último já conseguíamos fazer todas as etapas :)
12ª etapa - Pedestre - 12 kms
Após um elemento da organização nos ter perguntado se tinhamos
desistido, alegremente dissemos que não, e depois do sono quase em dia
lá fomos retomar a nossa participação. A etapa era relativamente
fácil e seguia mais uma grande rota, só que nas partes mais difíceis
as marcações não eram bem visíveis e voltámo-nos
a perder. Só que dessa vez usamos então o GPS que é permitido
nestas provas (e se calhar já o deveríamos ter feito antes) e
lá voltámos em pouco tempo ao caminho certo. Depois foi a história
do costume, subir metade da etapa até chegarmos ao alto do monte, e depois
foi correr monte abaixo até uma estrada. Daí até à
chegada já era perto, mas como tinhamos saltado o canyoning (10ª
etapa) involuntariamente seguimos durante 10 min. pelo leito de um rio, quando
afinal havia um caminho muito mais rápido quase ao lado. Mas o que conta
é a aventura :)
13ª etapa - Canoagem - 9 kms
Para acabar, encheu-se outra barragem de canoas até à chegada
final, e embora fosse a última etapa, ao fim de 200 kms, estava tudo
a remar com uma pujança de início de prova :) Como desta vez era
de dia, deu para melhorarmos a nossa técnica de pagaiada copiando as
várias equipas que nos iam passando, e conseguimos manter uma cadência
razoável até final.
Após um banho retemperador, e uma alimentação
decente, parecia que estávamos como novos. Não sabíamos
muito bem como estávamos classificados, mas não havia muitas ilusões:
acabámos em 42º lugar entre 45 equipas, com cerca de 42h de prova
(cada etapa que saltámos tinhamos o tempo da pior equipa mais uma hora)
contra umas impressionantes 19h da primeira equipa, para cumprir 210 kms, e
mais de 5000m de desnível acumulado.
Depois a pior etapa de todas, regressar a casa, pois alguns dos elementos iam
trabalhar no dia a seguir. Chegámos pouco depois das 5h da manhã
em modo zombie...
Embora os resultados não tenham sido os melhores,
acho que foi mais uma experiência positiva que nos mostra que embora ainda
tenhamos um longo caminho a percorrer, com mais treino e com mais participações
continuadas poderíamos aspirar a um lugar no meio da tabela das melhores
equipas do mundo de corridas de aventura. Só que isso não está
ao nosso alcançe pois não há condições para
tal em Portugal. A última prova deste ano vai ser disputada na Nova Zelândia,
e como dizia um de nós, ele até queria ir não tem é
dias de férias para tirar :) Claro que as equipas de topo têm patrocionadores
e não devem faltar a mais essa prova.
Vamos voltar agora à realidade do nosso Portugal
Eco Aventura, onde temos uma palavra a dizer, e onde a competição
caseira a pé, de BTT, de caiaque, ou doutra forma qualquer não
deixa de ser renhida e bastante interessante, com provas duras, mas que felizmente
para as nossas equipas ainda não se comparam a um Salomon.
Gostaria de agradecer finalmente aos nossos dois incansáveis
elementos da assistência que tanto apoio nos deram: a Cláudia Escudeiro
e o João Pina, e também a todos os elementos da equipa Optimus
pois houve sempre entre as duas equipas portuguesas um salutar espírito
de entreajuda.
Beijos e Abraços,
Eduardo Oliveira
Portuguese Spirit/Megamedia
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